11 de setembro de 2015

Delirio

Shhh!
Acaba o copo de vinho.
Vai para o quarto e vais fazer o que te digo. Sim, sou eu que mando. Não queres!?
Bem me parecia.
Quero que vás para a cama, que te dispas. Não te quero com uma única peça de roupa.
Enquanto esperas eu vou acabar o vinho, vou ficar à espera que te prepares para mim.
Não! Hoje é assim, é como eu quero!...
Vai, enquanto me esperas quero que brinques, que te toques, que te descubras.
Quero ouvir os teus gemidos no quarto, quero que o faças bem alto, que compasse com os meus goles no vinho.
Vai.
Fico sozinho na sala.
Sou réu neste julgamento de inocentes.
O silêncio é ensurdecedor.
O encher do copo é embalado pela respiração que vem do quarto. Concentro-me para te ouvir.
Hmmm. Começou o jogo.
Começo por ouvir uma respiração doce, compassada. Ainda te estás a descobrir. Em mim já o vinho me embebeda os sentidos, já o sangue me enche as veias, já o coração bate mais forte.
O som da tua voz começa a rasgar o silêncio, palavras ocas, sem sentido mas tremendas em força.
A ofegância da respiração faz-se ouvir, uma melodia demoníaca compassada pelos goles que dou no álcool.
Sinto em mim a força de te querer, a vontade de provar a agua que nasce em ti.
Vens na minha direcção, colocas os dedos no copo de vinho, das-me à boca.
Sentas-te no meu colo. Beijas-me sem controlo. Perdida de ti, encontras-te em mim.
Deus, que se dane isto, não aguento.
Deito-te na mesa, entorno a garrafa de vinho por cima de ti.
Bebo-te, como-te. Sangue do meu sangue, carne da minha carne!
Sentes o mesmo que eu?
Sim, estamos bêbados um do outro.

- Nuno Almeida -

8 de abril de 2012

"MULHER"

"Ó Mulher! Como é fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doida-mente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!"

Florbela Espanca

12 de março de 2012

Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.
Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho,
tem que ter reflexo.

11 de junho de 2010

"Nós podemos muito bem ser estranhos"


"Eu não reconheço mais o seu rosto
Ou, sinto o toque que eu adoro
Eu não reconheço mais o seu rosto
É apenas um lugar que eu estou procurando
Nós podemos muito bem ser estranhos em outra cidade
Nós podemos muito bem estar vivendo num mundo diferente
Eu não reconheço seus pensamentos nestes dias
Nós somos estranhos num lugar vazio
Eu não entendo o teu coração
É mais fácil ficar afastado..."
"We might as well be strangers"-KEANE

9 de junho de 2010

"A minha consciência tem milhares de vozes,
E cada voz traz-me milhares de histórias,
E de cada história sou o vilão condenado."
William shakespeare

28 de janeiro de 2010

Amar demais

"O amor e inseparável da morte.
Sabes que amas porque te esqueceste de que existes;
porque morreste para ti mesma,
para viveres naqueles que amas.
Se eles estiverem bem, então tu estas bem,
ainda que estejas mal.
Amar e dares-te.
E não pensares em ti.
E não quereres saber dos teus gostos,
do teu bem-estar,
do teu descanso,
dos teus projectos,
do teu futuro,
por andares ocupada em construir aqueles que te rodeiam.
E veres nessa morte para ti mesma o sentido
e a plenitude da tua existência.
Quanto mais deres de ti,
quanto mais te doer o teu amor,
mais alegrias terás e mais paz.
Porque amas mais."
Paulo Geraldo

20 de agosto de 2009

Marcas

Tudo o que sou devo-o á vida.
Ciumenta, exigente, insegura e carente
São marcas tão profundas que me deixou.
De amores mal resolvidos,não atendidos,
imcompreensões, mágoas, sofrimentos perdidos,
tristezas presas a um coração dorido.
De vidas que não eram minhas
Procurei quem não me queria,
E fugi de quem me amou,
se isso aconteceu algum dia,
Hoje amo, ando num caminho
em que a esperança que trago
é que seja esta a minha vida.
Não sou perfeita, choro por vezes
por essas marcas que carrego
Exigente? Provavelmente,
Mas vê em cada exigência um grito
de carência, um pedido de amor!
Só precisso que me envolvas nos teus braços,
porque em ti ...vivo...respiro.

4 de junho de 2009

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca

Minha culpa...

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...
Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...
Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
Florbela Espanca


27 de março de 2009

Minha alegria

Mais um momento, mais uma caricia,
um olhar, um desejo,
um gesto de ternura,
um olhar de carinho,
um amor que perdura.
Guarda o meu amor no teu coração,
minha alegria no teu sorisso,
minha vida na tua mão.